Gazeta Mercantil, 12 de agosto de 1998

Medida provisória do Trabalho é bem recebida. Empresários aprovam diminuição do índice do FGTS

Fabiana Biscaro,
Fábio Lopes e Silvana Ribeiro
São Paulo

Proprietários de pequenas e medias empresas acham que abrir a discussão sobre a legislação trabalhista e paternalismo sindical é a principal vantagem da medida provisória ( MP) 1079, que regulamenta a redução da jornada de trabalho.

"Pelo menos, para aderir à nova MP não dependemos de decisões sindicais', diz William Horst Richter, da Copam Auto Peças, de Ribeirão Pires (SP). A Empresa tem 85 empregados. Ele conta que, quando tentou contratar metalúrgicos por tempo determinado, foi barrado pelo sindicado. A lei sobre esse tipo de contratação obriga a anuência da entidade.

Washington Luís Coelho, da Metalúrgica Universal, de Diadema ( SP ) concorda com o dono da Copam. Ele destaca que a MP será mais facial de ser usada do que a contratação temporária porque é mais flexível e não exige a participação do sindicato. A Universal emprega 41 funcionários.

Solução

As Novas medidas do governo para combater o desemprego estão sendo minuciosamente estudadas pela área de RH da Mital Industria Metalúrgica, com sede em Salto Grande (SP). Vittorio Carmelo Cury Calia, um dos sócio da empresa, diz que agora poderá fazer algumas contratações a partir de setembro e com isso reverter o serio problema de atraso nas entregas, em media de 10 dias, por falta de mão de obra na produção.

Segundo Calia, 25 horas semanais preenchem perfeitamente os picos de produção da empresa. A Mital fatura R$2.5 milhões / ano e tem 120 empregados.

Já empresário do setor de confecções de Minas Gerais não se mostram dispostos a usar a jornada reduzida de trabalho.

A proprietária da confecção Boto Brasil, Cristina Tomon, e Sebastião Elcio Bernades, dono da Cristina Bernandes Confecções, ambas de Belo Horizonte acham que não adianta cortar horas e aumentar o numero de funcionários porque terão de pagar mais encargos trabalhistas, como vale transporte. Cristina tem 10 funcionários e Bernades, 25.

Ele acha que a redução do fundo de garantia de 8% para 2% em estudos, se aprovada vai gerar mais empregos.

Riscos.

"Essa seria uma medida mais importante", afirma também Washington Coelho. Ele vê riscos na jornada reduzida: "é possível que empresas com capacidade de produção ociosa acabem despedindo seus funcionários atuais e contratando novos por tempo parcial. "

Em alguns casos, a empresa pode ser prejudicada pela nova medida, diz Richter. "Desempregados podem aceitar trabalhar por menos horas como bico, até arrumarem um emprego com tempo integral. E o empresário perderá tempo e dinheiro com contratação e treinamento"